Cerca de 858 mil goianos estão passando fome, ou seja, fazem nenhuma ou apenas uma refeição por dia. O motivo é a falta de dinheiro para a compra de alimentos.

O número representa 11,8% de toda a população do estado, de acordo com o Segundo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (Vigisan), que divulgou nesta quarta-feira (14) os dados estaduais da pesquisa feita entre novembro de 2021 e abril de 2022.

A situação em que vivem estas famílias é chamada de insegurança alimentar grave.

Além disso, outras 901 mil pessoas que vivem em Goiás foram descritos como vivendo insegurança alimentar moderada, o que significa a redução quantitativa de alimentos e ruptura nos padrões de alimentação em decorrência da falta de alimentos.

Renato Cavalheira, pesquisador e membro da coordenação executiva da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), o sociólogo explica que essa categoria demonstra uma perda na qualidade e quantidade de alimentos.

“São pessoas que tiveram que trocar alguns alimentos, como não comer mais frutas e legumes, e não fazem todas as refeições. Já a insegurança alimentar grave é quem não tem o que comer mesmo, o que demonstra, na nossa sociedade capitalista, a falta de dinheiro”, diz ele.

A pesquisa demonstra ainda a estimativa de que há 2,19 milhões de pessoas em Goiás com insegurança alimentar leve. Nestes, há perda qualitativa na alimentação, mas não há ausência de alimentos. São famílias em que, por exemplo, não há mais consumo de carne vermelha por falta de recursos financeiros para comprar.

A Vigisan teve sua primeira etapa publicada em julho de 2022 e revelou que 33,1 milhões de brasileiros estão em situação de insegurança alimentar grave, ou seja, fome diária. Deste total, 2,59% residem em Goiás.

Carvalheira reflete ainda que outras pesquisas foram feitas para avaliar a situação da fome no Brasil ao longo dos anos e verificaram uma piora nos índices a partir de 2013 e 2014. “Isso ocorreu em todos os estados. Claro que houve a pandemia, mas o que percebemos é que as consequências são de aceleração do processo. Isso se dá pelo desmonte de políticas públicas, como a queda dos investimentos na agricultura familiar, a falta de estoques públicos da Conab, que poderia ter segurado a inflação, por exemplo”.

Os dados mostram ainda que a fome tem gênero e cor, já que os lares chefiados por mulheres têm proporcionalmente maior ocorrência de insegurança alimentar grave, assim como aqueles chefiados por pretos. Isso também ocorre nos lares com crianças e chefes sem escolaridade.

Em Goiás, por exemplo, nas casas cujos chefes não estudaram ou estudaram menos de oito anos, o índice chega a 16,8%, e naqueles com crianças menores de 10 anos é de 35%.

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* Com informações de O Popular