Eleva Night Run: Cancelamento de corrida de rua deixa cerca de 5 mil atletas no prejuízo, em Goiânia
O cancelamento da corrida de rua Eleva Night Run, após uma série de adiamentos que se arrastavam desde o ano passado, causou prejuízo financeiro a cerca de cinco mil corredores em Goiás.
O evento, que já havia tido diversas datas remarcadas, estava previsto para acontecer no próximo dia 4 de abril, em Goiânia. Sem apresentar uma solução concreta para o ressarcimento imediato dos inscritos, a organização da corrida atribui a responsabilidade pelo impasse a conflitos internos de gestão e transferências de obrigações contratuais.
Em conversa com o portal Goiás Notícia, o coordenador da prova, Lucas Gabriel, afirmou que os valores das inscrições foram recebidos por um CNPJ vinculado à administração anterior da Eleva Nutrition e que a atual gestão não reconhece a dívida, orientando os atletas a buscarem seus direitos judicialmente contra os antigos proprietários.
Diante da repercussão, a assessoria jurídica do escritório Araujo e Rodrigues Advogados encaminhou nota técnica à reportagem esclarecendo o posicionamento de Lucas. Segundo o documento, ele adquiriu exclusivamente o direito de uso do nome da marca Eleva Nutrição, não possuindo qualquer relação com a organização da corrida. A defesa sustenta que Lucas não integrou a equipe organizadora do evento e não possui vínculo societário com a empresa responsável pela realização da prova, tratando-se de CNPJs distintos, com sócios e atividades econômicas diferentes.
A nota afirma ainda que, conforme contrato firmado, todas as responsabilidades operacionais, financeiras e de execução do evento permanecem atribuídas à empresa organizadora original e a seus respectivos sócios. Sobre o motivo do cancelamento, a assessoria ressalta que Lucas não participou da organização e, portanto, não detém informações internas sobre as causas que levaram à decisão, cabendo à empresa anterior prestar esclarecimentos públicos.
Em relação ao número de inscritos e ao montante arrecadado, a defesa declara que Lucas não possui acesso aos dados de inscrições, pagamentos ou receitas, nem teria obtido qualquer proveito econômico com o evento. A responsabilidade pela transparência dessas informações, segundo a nota, também é da organizadora original. Quanto ao reembolso, o posicionamento jurídico sustenta que a obrigação deve ser direcionada à empresa responsável pela realização da corrida.
A justificativa, no entanto, não ameniza a revolta dos competidores, que enfrentaram meses de falta de transparência e informações desencontradas sobre o percurso e as garantias de realização da prova. O cenário de abandono dos inscritos se consolidou após a saída da empresa organizadora Bee Sports, que rompeu o contrato com a Eleva Nutrition em novembro de 2025, alegando falta de pagamento do saldo necessário para a execução do evento.
Mesmo com o coordenador afirmando ter investido mais de R$ 80 mil de recursos próprios para tentar viabilizar a estrutura e realizar alguns estornos por “boa-fé”, o desfecho atual deixa os atletas sem a corrida e sem o dinheiro.
A falta de uma explicação técnica considerada satisfatória, somada ao impasse entre antigos e atuais gestores, gerou uma onda de indignação nas redes sociais. Atletas relatam que o canal de atendimento via WhatsApp, anunciado como “exclusivo” para suporte, tornou-se insuficiente diante da magnitude do problema, com muitos inscritos alegando que não receberam qualquer retorno sobre seus pedidos de reembolso.
Lucas Gabriel pontuou ao Goiás Notícia que a situação se tornou financeiramente insustentável para a nova administração, alegando que “arcar com um prejuízo que não é seu” comprometeria a saúde financeira da empresa.