Tuya Kalunga reconhece compromisso de Gavioli com a equidade e apoia sua candidatura ao Congresso
“Todo mundo me tirava tudo, menos a vontade de estudar. A educação me salvou.” A frase de Tuya Kalunga deu ao encontro político de Fátima Gavioli, em Campos Belos, um tom que ultrapassou a disputa eleitoral. Professora efetiva da rede estadual, mestre e doutoranda, Tuya transformou sua própria trajetória em testemunho da força da educação para romper ciclos de exclusão.
Tuya contou que, na infância, viveu em um garimpo, enfrentou privações e diferentes formas de violência, mas encontrou na escola a referência que alimentou seu desejo de estudar. Hoje, sua história inclui formação em Educação do Campo, especializações, mestrado em sustentabilidade de povos e comunidades tradicionais e doutorado em andamento na UnB. De uma infância marcada pela invisibilidade, tornou-se professora efetiva do Estado de Goiás.
Foi nesse ponto que a trajetória de Tuya se encontrou com a de Fátima Gavioli, ex-secretária de Estado da Educação de Goiás. A professora Kalunga afirmou que Gavioli abriu espaço para que o povo quilombola pudesse ocupar posições de gestão na educação. “A porta dela nunca foi fechada”, disse, lembrando que Fátima não exigia intermediários para ouvir as demandas da comunidade e decidiu caminhar ao lado daquela luta.
O resultado, segundo Tuya, foi concreto: as escolas Kalunga passaram a avançar na ocupação de espaços de gestão, saindo de um diretor quilombola para três, enquanto a comunidade conquistava maior reconhecimento dentro da estrutura educacional. A luta, porém, não era apenas por igualdade, mas por equidade: “Não é pela igualdade, porque a igualdade todos têm. É pela equidade. Quando nos coloca junto.”
A fala de Fátima Gavioli reforçou a convergência. Emocionada, a candidata lembrou sua própria origem humilde e afirmou que a educação também mudou sua vida, assim como mudou a de Tuya. Para ela, ouvir aquele testemunho ampliou a responsabilidade de quem já esteve à frente da Secretaria de Estado da Educação: “Isso só aumenta a minha responsabilidade, meu trabalho e o meu compromisso com a educação.”
Mais do que um apoio eleitoral, o discurso de Tuya apresentou a candidatura de Fátima como parte de uma trajetória de inclusão que, segundo ela, ajudou a tirar o povo Kalunga da invisibilidade. “Eu vou seguir com vocês”, disse Fátima quando a comunidade pediu ajuda para alcançar novos espaços. Agora, Tuya afirma que veste a mesma camisa: “Onde essa mulher estiver, eu vou estar com o meu povo, com a força da minha ancestralidade. Porque nós merecemos alguém como ela para nos representar no Congresso Nacional.”
Quem é Tuya Kalunga?
A professora Tuya Kalunga, nome de registro Maria Helena Serafim Rodrigues, é uma proeminente liderança quilombola, educadora e empreendedora do Território Kalunga, especificamente da comunidade Tinguizal, em Monte Alegre de Goiás. É reconhecida pelo trabalho na preservação da identidade cultural, na defesa dos direitos das comunidades tradicionais e no fortalecimento das mulheres quilombolas.