Seis assaltantes invadiram o Banco Río de Acassuso, província de Buenos Aires, Argentina, em janeiro de 2006 e levaram aproximadamente US$ 19 milhões (R$ 41 milhões considerando a cotação da época). “A Verdadeira História Sobre o Roubo do Século”, documentário lançado pela Netflix, conta como uma briga de casal foi importante para as investigações.

O grupo liderado por Fernando Araujo, que já comparou o roubo argentino à série “La Casa de Papel” em entrevista ao site Infobae em 2018, realizou o assalto utilizando armas falsas e sem colocar reféns em risco.

Alicia di Tullio foi casada com Rúben Alberto “Beto” de la Torre, um dos assaltantes, por 15 anos. Durante o documentário, ele conta que a mulher viu os outros assaltantes no período em que preparavam o golpe.

Alicia se apresentou voluntariamente para conversar com policiais e disse reconhecer o marido ao analisar imagens de câmeras de segurança. Ela também apontou o local em que estava guardada parte do dinheiro.

‘Deu mais valor ao dinheiro’

Beto de la Torre afirma que a mulher seguiu trabalhando após o crime. Ele diz que passou a sair de casa com frequência para “eliminar provas” nos meses seguintes.

“Um dia percebi que o meu saco (de dinheiro) estava fora do lugar. A quantidade de dólares diminuiu bastante. Perguntei se ela tirou algo, e ela disse que pegou cinco ou seis saquinhos. Cinco saquinhos tinham US$ 300 mil”, detalhou.

“Disse que ela não deveria tocar em nada, pedi para devolver e isso virou uma forte discussão. Eu saí de casa levando o que restou do dinheiro, e ela chamou a polícia”, afirmou Beto de la Torre.

Ele rebateu a especulação de que estaria traindo a esposa após o roubo. “Caso fosse verdade, eu teria dado um dinheiro a ela e me mandado”.

“Não iria abandonar minha esposa e nem o meu filho. Ela pensou o oposto e deu mais valor ao dinheiro do que à família. Esse foi o desenlace trágico da minha história, e a dos outros também”, concluiu.

Os polícias responsáveis pela investigação detalharam que a colaboração de Alicia não foi o único fator decisivo para a identificação dos integrantes da gangue. Ligações telefônicas rastreadas também mostraram a ligação de Beto com os companheiros. Eles foram detidos na sequência pela polícia em diferentes cidades da Argentina e no Uruguai.

O roubo

Além de Beto de la Torre e Fernando Araujo, também participaram do assalto Luis Mario Vitette Sellanes (chamado de “o homem de terno cinza”, responsável pelas negociações com a polícia), Sebastián García Bolster e Julián Zalloechevarría. O sexto integrante não foi identificado.

Os seis integrantes da gangue fugiram por um túnel construído por Bolster e, por todo o caminho, espalharam granadas falsas. Todos deixaram o banco com vida usando lanchas infláveis. Os assaltantes, que permaneceram no banco por cinco horas, levaram dinheiro, joias e outros objetos de valor armazenados no banco.

“Em um bairro de ricos, sem armas e nem rancores. É só dinheiro, e não amores”, dizia o bilhete deixado pelos assaltantes.

Beto de la Torre foi o membro do grupo que permaneceu preso por mais tempo (8 anos), diz a reportagem do Infobae. Após o “roubo do século”, eles não voltaram a ser presos por novos delitos.

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*Com informações de Uol